Fios invisíveis de ações interrelacionadas

Em algum momento da nossa vida, seja na escola, faculdade ou trabalho, já experimentamos a sensação de fazer parte de uma equipe de alta performance, não só pelos resultados que a equipe alcançou, mas pelo “espírito de equipe”, o senso de pertencimento, sinergia e confiança. Mas essas equipes não nascem assim.

Quando perguntamos às pessoas como é fazer parte de uma excelente equipe, o senso de propósito se destaca, as pessoas falam sobre fazer parte de algo maior que elas mesmas, conexão. A aprendizagem organizacional está totalmente relacionada a esse senso claro de propósito que as grandes equipes sentem.

Entender o significado mais profundo de Aprendizagem é uma mudança de mentalidade que pouco se fala sobre, muito porque o uso da palavra se perdeu na sociedade moderna. Quando falamos de aprendizagem, muito provavelmente a primeira coisa que nos vem a cabeça é uma pessoa sentada passivamente em uma sala de aula, ouvindo instruções, e com medo de cometer erros. Para Peter Senge, confundimos aprendizagem com “internalização de informações”, mas um tem pouca relação com o outro.

“ A verdadeira aprendizagem chega ao coração do que significa ser humano. Através da aprendizagem, nos recriamos. Através da aprendizagem, tornamo-nos capazes de fazer algo que nunca fomos capazes de fazer. Através da aprendizagem, percebemos novamente o mundo e nossa relação com ele” — Peter M. Senge, 2018″

Nós nascemos com essa sede por aprender, é da natureza humana, basta olhar para as crianças com seu olhar sempre atento e curioso sobre o mundo. Eternos aprendizes.

Senge estabeleceu cinco disciplinas permanentes de estudo e prática que levam ao aprendizado organizacional, sendo elas: pensamento sistêmico, domínio pessoal, modelos mentais, a construção de uma visão compartilhada e aprendizagem em equipe.

É vital que as disciplinas se desenvolvam como um conjunto, e isso é desafiador, pois a integração é mais complexa que apenas aplicá-las separadamente, por isso o pensamento sistêmico é considerada a liga entre elas, é a disciplina que faz com que a teoria se transforme em prática. Juntas, as disciplinas transcendem modismos de mudança organizacional. Com a visão sistêmica, existe motivação para analisar todas as partes.

Sem o pensamento sistêmico prevalecer, não acreditamos genuinamente que podemos transformar nossa realidade, e nem nos abrimos para modelos mentais que revelam nossas limitações, e formas de ver o mundo. Para concretizar uma visão compartilhada de longo prazo é necessário entender os efeitos colaterais de cada ação, saber que as vezes demoramos a sentir, e isso afeta nossa capacidade de aprender, pois não sabemos muito bem qual foi a ação que desencadeou.

Em virtude disso, é necessário que a aprendizagem em equipe se desenvolva além daquele objetivo / missão que está escrito na parede, que também se desenvolva além das perspectivas individuais, na qual o domínio pessoal se faz essencial, pois nossa motivação intrínseca estimula nossa vontade de aprender continuamente como nossas próprias ações criam os problemas pelos quais passamos. Isso é pensamento sistêmico.

Uma organização que aprende é um lugar onde as pessoas descobrem a todo momento como criam sua realidade. E como podemos transformá-la.

Para Aprofundar:

A quinta disciplina: A arte e Prática da organização que aprende por Peter M. Senge.

Por Talilane De Grandi, Agile Master na Invillia.


Postado em 28/08/2019

Invillia

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