Se você não pode participar da edição 2019 do Scrum Gathering realizado na cidade do Rio de Janeiro (e esta foi a maior edição até o momento), traremos um artigo por dia com a cobertura dos melhores insights das palestras, workshops e keynotes.

Foto da abertura do evento Scrum Gathering Rio 2019, com Klaus Leopold.

Primeiro Dia – 27 de Junho de 2019

A abertura do Scrum Gathering Rio 2019 contou com a participação de Howard Subblett, Chief Product Owner da Scrum Alliance.

Subblett apresentou um pouco da estrutura da Scrum Alliance e como a entidade se organiza na forma de comunidades multidisciplinares dentro da sua estrutura.

Umas das informações trazidas é que esta é a maior edição do Scrum Gathering Rio já realizada, além disso, Subblett falou sobre o Scrum Gathering Global e onde serão as próximas edições ao redor do mundo.

Um outro assunto mencionado foi sobre as certificações da Scrum Alliance e como elas vêm ganhando uma visibilidade relevante no mercado.

Apesar da rápida apresentação, Subblett se mostrou bastante acessível durante todo o evento, sempre envolvido nas atividades do stand da própria Scrum Alliance, demonstrando o engajamento da entidade no evento.

Na sequência, Rafael Sabbag, um dos founders da K21 e organizador do evento oficial da Scrum Alliance no Brasil, após saudar todos os participantes, apresentou o primeiro keynote speaker do evento, Klaus Leopold, autor de vários livros sobre agilidade e o best-seller “Rethinking Agile”.

Keynote: Rethinking Agile, por Klaus Leopold

Klaus discursou sobre os elementos fundamentais para o processo de transformação ágil:

  • Times multifuncionais;
  • Times trabalhando com uma visão de produto;
  • Liberdade e autonomia para o time trabalhar com os métodos e frameworks ágeis que julgar mais adequados.

Além disso, Klaus também mencionou o que na visão dele seriam os requisitos mínimos para a manutenção de um ambiente em transformação ágil:

  • Visualização e transparência (através de boards);
  • Stand up meetings;
  • Retrospectivas;
  • Métricas.

Durante a palestra, Klaus mostrou de uma maneira muito eficiente um case onde mesmo aplicando os requisitos acima mencionados em um determinado cliente, ele não conseguiu atingir os resultados esperados, apresentando uma estagnação em seu lead time e um descompasso muito grande em relação ao time-to-market. Klaus trouxe um modelo muito interesse de “Team Dependency Graph” para mapear dependências entre times, utilizado no case como maneira de identificar a causa raiz do problema. Após a identificação do problema, Klaus atacou o mesmo da seguinte forma:

  • Reforço da ideia de times multidisciplinares;
  • Mapeamento do workflow completo, do upstream ao downstream;
  • Controle de WIP não apenas no nível de histórias e tarefas, mas também no nível das iniciativas, ou seja, gestão de portfólio.

Concluindo a apresentação, Klaus falou um pouco sobre o Flight Level, ou seja, o grau de detalhamento com o qual nos aproximamos para entender um determinado contexto. O Flight Level divide-se em três níveis de visibilidade:

  1. Operational;
  2. End-to-end coordination;
  3. Strategy level.

Palestra: Do desenvolvimento de software, uma atividade essencialmente humana, ao nascimento de um RH ágil, por Alexandre Amorin

Nesta palestra, Alexandre Amorim reforçou sobre a premissa: “Priorizar a colaboração entre as pessoas, mais do que processos e ferramentas”, realizando um apanhado separado por décadas, desde a evolução de processos até a agilidade.

Segundo Amorim, fica evidenciado que não importa tanto quais práticas nós utilizamos, e sim o porquê as utilizamos, ou seja, os valores de um time auto organizado. Muitas vezes esse termo causa confusão e estranheza em empresas e líderes, porém deixa claro que o foco não é o indivíduo, mas sim a equipe, e devemos instigar e dar estrutura para que times se auto organizem.

Alexandre trouxe o case de sucesso em sua empresa, desde a implementação de gestão à vista para área de RH, até as reuniões mensais com áreas conectadas entre si e toda empresa, todas mensuradas com nível de participação e engajamento.

Para tanto, mais do que contratos a um RH, o importante é envolver, colaborar e adaptar-se para evoluir continuamente através de feedbacks. Demonstra que precisamos desenvolver uma curva sustentável, levando em conta valores ágeis, foco em resultados e não em produção, além de medir e aprimorar o valor entregue a partir de feedback frequente.

Palestra Squad Healthcheck: Como monitorar e manter o bom andamento de times ágeis, por Leonardo Francisco

Leonardo Francisco trouxe um tema bastante pertinente ao contexto de desenvolvimento e descoberta de produtos digitais através do modelo de Squads. E a partir disso, apresentou uma estratégia de monitoria de performance inspirado no Squad Healthcheck do Spotify e os domínios da agilidade da K21.

Dentro dos domínios Cultural, Organizacional, Técnico e Negócio, Leonardo apresentou 10 temas que contemplam de maneira holística uma típica jornada de desenvolvimento e descoberta de produto digital/software, e para cada um destes temas, sugestões de metrificação, com base nas experiências em uma amostragem de mais de 60 Squads de diferentes contextos e clientes.

Ao final da apresentação, mostrou ao público o artefato Squad Healthcheck da Invillia, que foi disponibilizado em sua versão de jogo de cartas para distribuição gratuita para os participantes do evento, para que o apliquem em seus contextos e compartilhem suas experiências para o aprimoramento do artefato.

Workshop Especial Swarming: The Surprising benefits of Mob Programming, por Ademar Aguiar e Joseph Yoder

Joe Yoder falou em seu workshop sobre a prática de Mob Programming. Com uma forte base em Extreme Programming, a prática consiste em uma equipe trabalhando sobre o mesmo problema, no mesmo espaço, inclusive no mesmo computador.

Durante a dinâmica uma pessoa do time opera o computador (Driver), quanto os outros integrantes (Navigators) observando e fazem considerações. Em ciclos de 7 min, temos uma rotação do Driver.

A prática reforça a integração entre a equipe e gera uma resposta muita mais rápida na resolução de determinados problemas complexos em desenvolvimento de software.

Dentro da dinâmica temos o que é chamado de “assento público”, onde um Product Owner, por exemplo, pode participar para fazer considerações ao time.

Yoder é um forte influenciador na comunidade, compartilhando com os participantes o site da prática: http://mobprogramming.org.

Palestra O futuro da gestão de desempenho, por Raphael Molesim e Renata Sujto

Nesta palestra, Raphael Molesim e Renata Sujto instigaram o debate sobre o porquê sistemas de gestão de desempenho normalmente não funcionam, como por exemplo: as revisões de desempenho não produzem informações precisas, não demostram a evolução ou mesmo resultam na diminuição do desempenho dos colaboradores.

Trouxeram-nos exemplos de empresas digitais como Google, Spotify e Adobe, que têm mostrado que vale a pena investir para fazer dar certo, à medida que aumentam em 22% a lucratividade, 21% a produtividade e 45% a retenção dos funcionários. Elas têm como principal alavanca, 3 pilares:

  1. Definição de metas;
  2. Desenvolvimento de pessoas;
  3. Recompensas.

As melhores práticas de definição de metas estão presentes nos OKRs, com metas provocativas e desafiadoras, testando e aprendendo com o processo e, principalmente, desvinculando resultados de pagamento de bônus.

Por sua vez, as empresas digitais utilizam o sistema de gestão de desempenho como principal alavanca de desenvolvimento de pessoas, criando oportunidade de feedbacks informais, permitindo maiores chances de aprendizado e removendo a curva forçada. Provém estrutura para as pessoas se darem feedback, articulando como as competências desejadas se traduzem em comportamentos.

A conclusão foi que mudar práticas financeiras demandam coragem, já que o ideal é utilizar incentivos no nível de time e não necessariamente financeiros, além de treinar os próprios líderes sobre como utilizar os motivadores intrínsecos.

Segundo os palestrantes, sendo esta uma iniciativa piloto, devemos sempre estar confortáveis em errar, e algumas medidas podem não gerar resultados. Mas o mais importante: devemos testar com cuidado o que pode impactar na carreira das pessoas.

Palestra As cadências de Kanban na era de Business Agility, por Bernardo Estácio e Romeu Mattos

Romeu Mattos e Bernardo Estácio compartilharam os desafios e aprendizados no processo de escalar ágil em uma empresa cujo a taxa de crescimento está bem acelerada (ao todo possuem um time de engenharia com mais de 100 times ágeis).

Ambos são Agile Coachs na empresa e o grande desafio foi conectar os vários níveis da empresa e fazer a informação circular, sendo que esta possui uma estrutura bastante hierarquizada.

Eles trouxeram também uma informação que “50% das empresas querem adotar o agile para melhorar o business” – e a reflexão que eles propuseram é o quão capazes estas empresas são em se adaptar de maneira ágil aos desafios e cenários que o mercado impõe.

Complementam que é cada vez mais comum observarmos grandes empresas (tradicionais) sofrendo com mudanças ou ainda tendo entrantes no seu mercado. E na maioria das vezes, elas não têm a dinamicidade e agilidade de responder a situações como essas.

Retornando ao contexto da empresa em que atuam, de maneira estratégia começaram a aumentar o contato e relacionamento como os demais níveis da empresa, utilizando o conceito de Flight Level:

  1. Operação (entrega);
  2. Coordenação (coordenação end-to-end);
  3. Estratégia (priorização);

Inicialmente o relacionamento e atuação era quase que 100% no nível 1, e como essa nova estratégia passaram a atuar nos demais níveis com o objetivo de democratizar a informação e com isso conectar a empresa de ponta a ponta. Começaram a promover encontros a fim de gerar uma big picture a fim de colocar todos na mesma página.

Para isso utilizaram também as cadências do Kanban (Kanban meetings) a fim de explorar temas estratégias, táticos e operacionais e com isso conseguir ter de forma regular esses encontros e fazer a informação circular na empresa (proporcionando maior transparência, pavimentar um cenário de maior autonomia, etc.). Ao longo da jornada, as cadências mais exploradas foram (na respectiva ordem):

  1. Risk Review: Reflexão sobre as falhas, o que fazer para evitar. Importante utilizar métricas para guiar essa etapa; participantes: quem conhece os bloqueios; periodicidade mensal;
  2. Operation Review: Reflexão do que pode ser otimizado na estrutura para se atingir os objetivos; participantes: PO’s, gerentes de engenharia, Tech Leads, representantes dos clientes, gerentes de projetos e produto; periodicidade de 2 meses;
  3. Strategy Review: alinhamento da direção e caminho (mapa e bússola); participantes: quem lida com cliente, liderança, gerentes de produto e projeto; periodicidade a cada 3 meses;

Este processo demorou aproximadamente 1 ano para apresentar resultados concretos.

Com esse trabalho, eles começaram a desenhar uma big picture sobre a operação toda (visão sistêmica) e com isso começaram a tomar melhores decisões, além de permitir que pessoas de diferentes níveis pudessem colaborar e contribuir nas decisões.

Os principais desafios dessa jornada foram:

  1. Aumentar alcance (Flight level);
  2. Hierarquia forte;
  3. Capacidade X demanda;
  4. Skin in the game;

Os principais aprendizados:

  1. Direção e feedback loops;
  2. Aspectos humanos envolvidos;
  3. Democratizar a visão sistêmica.

Considerações finais

O dia foi bastante intenso com várias trilhas simultâneas, e ainda tivemos a oportunidade de interagir com muitas pessoas em nosso stand, apresentando e distribuindo o artefato Squad Healthcheck – havendo uma grande procura pelo jogo de cartas, que chamou bastante a atenção dos participantes no evento.

Tivemos a honra de receber o Joseph Yoder em nosso stand. Ele já conhecia a Invillia, porque há alguns meses o recebemos em nossa base lá em Araraquara, no interior de São Paulo, ocasião em que ele ministrou diversos workshops para nossos colaboradores, e ainda tivemos a oportunidade de fazer um talk aberto à toda a comunidade.

Conhecemos também o Ademar Aguiar, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, de Portugal – que ministrou o workshop Mob Programming juntamente com o Yoder. Registramos o momento em uma selfie:

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Por Saulo Esteves, Leonardo Francisco, Caroline Barbosa e Renato Oliveira.

Postado em 27/06/2019

Invillia

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