Você sabe o que é Design Sprint e como rodá-la de Segunda a Sexta? Neste artigo, o Consultor de Produtos Digitais da Invillia, Leonardo Eiras, compartilha sua experiência buscando responder a essas perguntas e provê ainda 5 dicas práticas imperdíveis para uma Design Sprint de sucesso. Boa leitura!

Design “O Que”?

A Design Sprint, também chamada de “Sprint”, foi criada por Jake Knapp (designer do Google Ventures). Desde 2010 Jake vinha rodando vários experimentos com dezenas de Startups – utilizando técnicas e ferramentas de Design Thinking – tentando melhorar o processo de descoberta e validações de novas soluções. Assim, o objetivo principal é encurtar o tempo e esforço gastos entre a ideia e o aprendizado, conforme ilustrado através da imagem abaixo.

O ciclo “ideia e aprendizado”, pulando as fases de “desenvolvimento e lançamento” - Design Sprint encurtando tempo e esforço gasto. fonte: https://www.gv.com/sprint/
Imagem: O ciclo “ideia e aprendizado”, pulando as fases de “desenvolvimento e lançamento” – fonte: https://www.gv.com/sprint/

Assim, após alguns anos e muita experimentação, em 2016 foi lançado o best seller “Sprint: O Método usado no Google para testar e aplicar novas ideias em apenas cinco dias”. O livro veio no formato de “cookbook” (uma receita) e entrega um conteúdo de fácil leitura e aprendizado. Possui muitas imagens e exemplos reais que ilustram muito bem os desafios que Jake e sua equipe tiveram. Também como solucionaram estes desafios utilizando o próprio método que haviam criado.

Entendi! E a Design Sprint funciona mesmo?

Como o próprio título do livro diz: sim. funciona! É possível testar novas ideias em apenas cinco dias. (Na verdade tem um pessoal de uma agência de Design em Berlim que fazem praticamente todas as dinâmicas sugeridas no livro e em 4 dias. Eles chamam de Design Sprint 2.0, e o próprio Jake Knapp aprovou! Mas isso é papo para outro post, Ok?)

Só que não basta apenas seguir tudo o que diz no livro, aliás se eu fosse lhe dar uma primeira dica nesse exato momento seria:

1. Para a Design Sprint, não siga cegamente tudo o que diz no livro

E existe um grande motivo por trás disso. Após ler o livro e assistir os vídeos do próprio Jake Knapp (entre outros), percebi que algumas premissas do livro não iriam funcionar para mim ou contexto que vivencio. E isso é normal! Então, não se desespere se acontecer com você também, certo? O ideal é você entender o que a Design Sprint se propõe a fazer e utilizar de sua essência (leia-se Design Thinking) para a solução de seu problema ou na concepção de sua ideia.

Legal, mas como é a Design Sprint na prática?

A Design Sprint acontece de Segunda a Sexta e cada dia é designado para um objetivo. Para alcançá-lo você precisa ter as pessoas certas participando e contribuindo.

Convide para a Sprint pessoas de negócios que entendam bem o “o que?” e o “porque”. Pessoas técnicas que entendam o “como”, ao menos um designer (sua solução terá que ser prototipada! Mas não se preocupe, chegaremos lá). Além disso, um facilitador ou moderador, para guiar todos os envolvidos durante as dinâmicas mantendo o foco e o timebox. Se está achando tudo isso interessante esse último papel pode ser seu.

Se você leu o livro, viu os vídeos ou já sabe de algo da Design Sprint deve estar se perguntando: “Onde está o tomador de decisões?”. Sim, esse papel existe no livro, nos vídeos e nas Sprints. Contudo, não o coloquei aqui de forma intencional e aqui vai a minha segunda dica:

2. Tome cuidado com o tomador de decisões

de forma simples, esse papel seria de alguém que na “teoria” participaria das dinâmicas. Além disso, em certos momentos iria intervir para dizer o rumo que a Sprint e a solução iria tomar. Bem, isso seria na teoria.

Na prática, muito do que vi é que essa pessoa pode posicionar-se hierarquicamente para fazer tudo “do seu jeito”. Por conseguinte, isto acaba destruindo o espírito colaborativo e democrático que deveria estar presente em uma Sprint, assim como preconizado pelo Management 3.0. Ou ainda, essa pessoa não participa de quase nada e aparece de tempos em tempos discordando de tudo e abaixando a moral dos demais.

É claro que isso não é regra, diversas Sprints funcionam muito bem com o tomador de decisões (e esse é um papel que pode ter até mais que uma pessoa, talvez um CEO e um Co-Founder, por exemplo). Contudo, na minha visão e o que eu prefiro é tentar manter tudo da maneira mais democrática possível. Utilizar bastante as técnicas de “doting-voting” para tomar as decisões finais ao invés de colocar todo esse peso nas costas de uma única pessoa. Dito isso, fique a vontade para experimentar e ver o que melhor funciona para você, afinal a Sprint se trata de experiências!

Agora sim, com o time preparado você tem tudo o que precisa para iniciar!

Segunda – Entenda

Na segunda, você e seu time iniciam com um grande problema ou ideia. Depois, tem-se até sexta para saber se a ideia vai para frente e faz sentido ou se o problema pode (ou não) ser resolvido da maneira que haviam imaginado.

Para isso, vocês precisam entender e definir claramente qual será o Objetivo da Sprint e quais são as principais Questões que esperam responder com ela até o fim da semana. Para ajudar nesses dois itens acima e próximos é indicado desenhar um Mapa. Este mapa irá exibir de forma super macro a jornada do usuário dentro da solução que vocês estão propondo. O intuito será auxiliar o time nos desenhos que serão feitos no próximo dia.

Esse para mim é o dia mais importante de todos! Pois dependendo das decisões do time a Sprint pode ser um sucesso ou um completo fracasso.

Terça – Desenhe

O segundo dia é para propor soluções! É dia de desenhar, rabiscar, anotar e tudo mais do que quiser chamar, isso é irrelevante. O importante aqui é que você e sua equipe já tenham o objetivo definido. Além disso, também tenham as principais questões e um mapa para se basear nas sugestões de ideias para as soluções.

E aqui entra minha terceira dica:

3. Dividir para conquistar

Se você tem um grande e complexo desafio ou muitas pessoas participando da Sprint, as vezes é interessante colocá-los para trabalhar em duplas ou trios ao invés de sozinhos como propõe o livro. Isso aconteceu comigo e é uma ótima maneira de chegar a melhores soluções, afinal, duas cabeças pensam melhor que uma!

Quarta – Decida

Na quarta, vocês tem várias ideias com ótimas sugestões de como resolver aquele problema ou testar uma nova solução. Mas, qual delas vocês irão escolher para prototipar e testar com os usuários?

Essa pergunta pode parecer difícil, porém, seguindo o método e as dinâmicas tudo se torna simples. Novamente, você vai deixar o time decidir de forma colaborativa. Todos terão a oportunidade de avaliar as ideias e votar nas partes que acharem mais interessantes. (O voto não precisa ser na solução toda, pode ser em apenas uma parte do que mais lhe tenha chamado a atenção).

Com isso, você terá um pequeno “Frankenstein” de soluções e terá que juntar as peças para que ela fique coesa e “ganhe vida”. Para tal, irá utilizar o protótipo do dia seguinte. Para lhe ajudar com essa tarefa você pode criar um storyboard.

Quinta – Prototipe

Esse é um dia muito intenso para os designers que prototiparão a solução construída no storyboard do dia anterior. Totalmente mão na massa e o dia inteiro!

Enquanto o protótipo vai sendo feito, o restante da equipe já vai se planejando para as entrevistas que ocorrerão no dia seguinte. Qual pessoa do time será o entrevistador? Quem vai anotar os feedbacks. Quem serão os entrevistados e quanto tempo será de entrevista? Como será organizado o feedback? (…)

Vou deixar aqui a minha quarta dica, muito importante para esse dia, que é:

4. Combine com o time checkpoints para verificarem o protótipo

Os designer ficam imersos nas soluções que tem de prototipar. Assim, não é legal deixar o restante do time ver o protótipo apenas no fim do dia. E, muito menos deixar o time ficar interrompendo o trabalho dos designers de minutos em minutos para verem o progresso. Então no início do dia, ou até um dia antes, combine uns 3 checkpoints (manhã, tarde e no fim) para uma breve apresentação e discussão do protótipo. Essas discussões não devem passar de 15 à 20 minutos.

Sexta – Teste

É sexta-feira, chegou o último dia da Design Sprint e com ele uma das etapas mais importantes dela, a razão pela qual você e seu time se reuniram durante toda a semana: Validar suas hipóteses com potenciais usuários!

Todos os outros dias e suas dinâmicas lhe trouxeram para esse ponto, verificar como os usuários vão reagir ao olhar e navegar pelo seu protótipo, então é muito importante prestar atenção em cada detalhe e tomar notas, para isso deixo aqui minha quinta dica:

5. Faça um mural de feedbacks

Para ter um melhor resultado escolha apenas 5 usuários para entrevistar (lembre-se que nesse momento você precisa de qualidade e não quantidade e pesquisas mostram que 5 já é um número muito bom para reconhecer padrões), escreva o nome dessas 5 pessoas em um quadro ou parede e cole com post-its (com cores separadas) o que esses usuários falaram ou comentaram de forma positiva (do que gostaram) e de “negativa” (o que não gostaram ou não entenderam), ao final a equipe pode votar nos feedbacks mais impactantes e decidir se algo será ou não alterado no protótipo.

Conclusão

Ao fim dos cinco dias você verá que a Sprint é bem exaustiva. No início pode parecer um pouco complexa, porém é um método genial. Todos os dias e dinâmicas foram pensados – e testados pelos autores – tendo entradas definidas e saídas esperadas em uma sequência lógica, para se chegar ao objetivo do método que é validar uma ideia com potenciais usuários, no menor tempo possível e com o mínimo de esforço.

Para você que já participou de alguma forma de uma Design Sprint, espero ter contribuído com ideias de como melhorar para as próximas (melhoria contínua!) e para você que ainda não tentou, espero que se sinta mais confortável e encorajado a participar.

Por: Leonardo Eiras, Consultor de Produtos Digitais na Invillia.

Postado em 30/04/2019

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