Há dois meses, em dezembro de 2018, como Agile Master fui inserido em um time já em atividade e bom domínio do produto que desenvolvem. E aí me veio a pergunta: O que fazer em um contexto aparentemente controlado e rodando o processo sem problemas?

Iniciei uma aproximação com o time aplicando o Happiness Canvas, medindo a felicidade e extraindo um pouco do sentimento de cada um sobre o produto, cultura e processo. A dinâmica foi muito rica por revelar nuances daqueles típicos problemas que não incomodam ao ponto de rapidamente provocar mudanças, mas que acumulados geram desconforto a todos.

Comecei então a pensar ser interessante revisitar esta implementação Kanban através do STATIK – System Thinking Aproach TImplement Kanban .

  • Nosso propósito está bem claro, mas algumas atividades do dia-a-dia ainda fogem ao propósito entendido por todos. A partir desta primeira “insatisfação” envolvi outras pessoas da organização e obtive apoio para uma mudança importante, retirando do time demandas diárias que não deveriam ser nosso foco.
  • Nosso fluxo de trabalho já estava bem definido e seguimos na ocasião com uma área de backlog, que após passar por um refinamento junto ao PO/Área de Negócios a demanda é rejeitada ou aguarda em fila para desenvolvimento, passa pela implementação, revisão (2 code reviews), teste local, apresentação aos envolvidos, QA, Delivery, medição de resultados (métricas do produto) e por fim, entregue.
  • Investigamos em seguida as demandas em progresso junto com a capacidade histórica de entrega e percebemos que tínhamos oportunidade de separar mais classes de serviços ajustadas aos tipos de demandas para ajudar na priorização do trabalho e consequente redução do WIP (Ajuste da capacidade).

As análises acima ajudaram o time identificar e propor as seguintes melhorias:

Kaizen #1: Redesenhar o fluxo para as seguintes classes de serviço:

  1. Expedite (Tudo que for extremamente urgente),
  2. Blockers (Tarefas que bloqueiam outro time),
  3. Fixed Date (demandas com data limite para implantação – BACEN, Compliance, Licenças),
  4. Automação,
  5. Normal,
  6. Bug sem criticidade,
  7. Análises.

Kaizen #2: Com a nova visibilidade de classes e dado as métricas de entrega do fluxo passado, decidimos criar um contrato de time onde priorizaremos ao menos uma issue de automação e bug sem criticidade por mês junto ao PO. Estas políticas de trabalho explícitas são fundamentais para guiar as decisões de forma rápida e sem contar com a emoção no dia-a-dia.

Tendo mapeado tudo isso e desenhado hipóteses de melhorias, re-iniciamos o Kanban com a certeza que seremos inquietos: para cada novo experimento certamente teremos uma série de aprendizados e novas hipóteses.

Espero que esta história encoraje você leitor a rodar ou re-iniciar seu Kanban de maneira bem prática e sem mistérios. Até logo!

Referências:

https://www.linkedin.com/pulse/statik-systems-thinking-approach-implementing-kanban-david-anderson/

 

Por Guilherme Versotti, Agile Master na Invillia.

Postado em 31/01/2019

Invillia

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